domingo, 25 de dezembro de 2011

AMIGO

Por Marivaldo Carneiro

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e saber calar, sobretudo saber ouvir.
Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaros, de sol, de lua, do canto dos ventos e da canção das brisas. Deve ter amor, um grande amor por alguém ou então sentir falta de não ter este amor.
Deve ter amor ao próximo  e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar o segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem imprescindivel que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado ( todos os amigos são enganados).
Não é preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro, mas não deve ser vulgar.
Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isto deixa. Tem que ter ressonâncias humanas.
Seu principal objetivo deve ser o de ser amigo.
Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve ser Don Quixote, sem contiudo desprezar Sancho. Deve gostar de crianças.
 

Procura-se um amigo para gostar das mesmos gostares. Que se comova quando chamado de AMIGO. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e de recordações de infância. precisa-se de um amigo para não enloquecer, para se contar o que se viu d ebelo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações dos sonhos e da realidade.
Deve gostar de ruas desertas, de poças de chuva e de caminhos molhados de beira da estrada, do mato depois das chuvas e de se deitar sobre o capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.
Precisa-se de um amigo para se parar de chorar, para não se viver debruçado ao passado, em busca de memórias queridas. Que nos bata no ombro, sorrindo e chorando mas que nos chame de amigo, para se ter consciência de que ainda se vive.

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